terça-feira, abril 19, 2005

Maratona e Cia.

E prosseguem os treinos para a aventura africana, com alguns de nós a marcarem presença na Maratona Carlos Lopes: O Paulo Ponte melhorou o seu recorde na maratona para 3h 25min, enquanto que a Paula e eu optamos por fazer a mesma prova, mas de bicicleta (amanhã volto a escrever sobre isso, já que tive uma "boa" má experiência sobre insulina e exercício físico). A Catarina e o Carlos, que estão em todas, completaram mais uma prova de meio-fundo: À falta de uma meia-maratona (eu acho que é o que eles mais gostam de correr), correram os 11km em pouco mais de uma hora. E assim se fez mais um domingo de treinos.

sexta-feira, março 18, 2005

O Porquê da Catarina

Olá pessoal! Eu sou a Catarina, tenho 30 anos e faço parte do grupo do Kilimanjaro!
Estou super entusiasmada com a ideia desta viagem porque confirmei o ano passado que o montanhismo é uma grande paixão! Eu sou diabética desde os 8 anos de idade, por isso desde cedo que ouço falar sobre a importância do desporto e de uma vida saudável. Contudo, sou filha de um velejador e cresci a mergulhar no Sado, por isso as minhas primeiras práticas desportivas foram todas ligadas à água. A partir mais ou menos dos 20 anos comecei a aliar a corrida à natação por achar que era muito “prático” correr. É um desporto que se pode fazer a qualquer hora e em qualquer lugar, basta dar corda aos atacadores e “Siga!”!! Uma coisa puxa a outra e andava a pensar inscrever-me em contactar duas instituições – a Federação Portuguesa de Triatlo e o Clube de Montanhismo da Arrábida, mas eis senão quando me deparo com a AJDP, precisamente numa caminhada na Arrábida. Foi assim que entrei para a associação e que por um triz não ia as Alpes! O bichinho ficou e desde aí comecei a ir regularmente à serra (Arrábida, Sintra, Estrela, Gerês). O ano passado fui ao Nepal, fazer um trekking de 16 dias em que chegámos aos 5400 metros! Foi fantástico mas desde já não recomendo o “mal de montanha” a ninguém! Acima dos 3000 metros BEBAM MUITA ÁGUA, mesmo que não vos apeteça.
Ah, já me esquecia de falar daquilo que mais faço: os treinos. Desde essa altura, há mais ou menos 5 anos, que comecei a treinar de forma mais sistemática, não só porque aprendi a importância vital do treino para o controlo da glicémia, mas sobretudo porque cada vez gosto mais de esticar os músculos e com companhia é muito mais divertido! Assim, participo regularmente em provas de corrida, de estrada e montanha, e também em provas de orientação. Por exemplo antes de ir ao Nepal, todos os meses fazia uma prova, para além dos treinos semanais, claro.
Agora para o Kili, estou a fazer os seguintes treinos: hidrobike duas vezes por semana (é uma modalidade engraçada, um bom exercício aeróbico e que ao mesmo tempo é dentro de água o que amortece o impacto nas articulações); natação duas vezes por semana também; corrida duas ou três por semana: um ou dois treinos curtos e rápidos (a “puxar) e um treino longo ao fim de semana (1h30). Os treinos longos de corrida são um óptimo treino para a montanha porque o tipo de respiração que a corrida provoca, a hiperventilação, é semelhante a andar em altitude.
Por agora é tudo, depois conto mais novidades!

Catarina Sales de Oliveira

segunda-feira, março 07, 2005

O Porquê "revisited"

Sem dúvida nenhuma, pela razão que o Tiago já mencionou: porque alguém teve a ideia. Porque ainda é necessário abrir os olhos a muito boa gente que vê os diabéticos como seres algo mais incapacitados. Mas essencialmente para provar a todos (diabéticos ou não) que os diabéticos são acima de tudo pessoas, e como tal têm os seus limites próprios.
Tal como qualquer outro grupo, o que limita a escolha é não só a capacidade física da pessoa mas também o conhecimento do próprio. Todos temos de nos preocupar se comemos o que está certo, se não estaremos a ir muito depressa; o diabético apenas terá de se preocupar com mais um parâmetro, o que não será um problema se se conhecer!
Os meus objectivos no momento são exactamente esses: controlar melhor os meus "acúcares", ao mesmo tempo que desenvolvo as minhas capacidades físicas. E ambas as tarefas se tornam mais fáceis quando realizadas com uma tão variada equipa! Pessoal mais experiente (quer em diabetes, quer em montanhismo), misturado com jovens não novatos, mas ainda com muito a aprender (e com muito para dar), rapazes e raparigas...
Sem dúvida que estabelecemos um objectivo elevado. E vamos todos dar tudo por tudo para o atingir!!

PS: já alguém notou que vou ser o elemento mais novo???

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Porquê...

...ir lá acima?


Em parte porque a montanha está sempre à espera de ser conquistada. E por ser um desafio. Mas, acima de tudo, porque alguém achou que seria boa ideia.
Está apresentada, assim, a Sílvia Saraiva, perdão, Dra. Sílvia Saraiva, mentora desta ideia. Ideia simples: Se uma dezena de diabéticos pode chegar ao ponto mais alto de África, quem (a começar pelos próprios diabéticos) vai continuar a pensar que o diabético é um ser humano limitado pela sua condição de saúde? Se eles até correm maratonas e conquistam os sete cumes do mundo?

Apresentações

Pus o carro à frente dos bóis e ainda nem sequer expliquei quem somos nós:
10 diabéticos, um enfermeiro e uma médica, membros da Associação de Jovens Diabeticos de Portugal, empenhados na organização que leve diabéticos (insulino-dependentes) à montanha mais alta de África.
Quem somos? Vejam quem fomos: Antes e depois.

A montanha brilhante

Vão ver como brilha. Até lá: Treino, muito treino. No último sábado partimos de Palmela, mesmo ao lado do castelo, e só paramos depois de um dia passado a atravessar as serras, quando avistamos a Casa das Tortas de Azeitão. Mas depois de 30km de caminhada extenuante, com hipos pelo meio (eu nem dei insulina rápida o dia todo), já nem para as devorar tínhamos força.

Que comece a aventura...

Há cinco anos fomos aos Alpes franceses, subimos ao Mt Blanc du Tacul, a mais de 4000m. Estivemos bem no cimo da Europa. Este ano queremos subir mais um pouco: Kilimanjaro. Kili p'r'os amigos. Citando um dos 7 Magníficos de Chamonix:
"Eram metros e metros." 5893 metros "que começavam junto de um rio que às vezes era bravo como um touro enraivecido, outras vezes era manso como um gatinho quando mia. Depois subiam e subiam, passavam por árvores grandes e frondosas, por caminhos estreitos, por pedras que já foram pisadas por gente e mais gente, chegavam a um alto que quando lá se chega é que se percebe que ainda falta muito e continuavam sempre. Sempre. Eram metros e metros."